{"id":2947,"date":"2022-12-09T09:24:12","date_gmt":"2022-12-09T09:24:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ajmonnet.eu\/?p=2947"},"modified":"2025-07-29T11:44:50","modified_gmt":"2025-07-29T09:44:50","slug":"une-france-fossilisee-sonnera-t-elle-le-glas-dune-europe-unie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ajmonnet.eu\/pt\/une-france-fossilisee-sonnera-t-elle-le-glas-dune-europe-unie\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que uma Fran\u00e7a fossilizada significar\u00e1 o fim de uma Europa unida?"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto a guerra na Ucr\u00e2nia continua, a solidariedade europeia, que tem sido exemplar at\u00e9 \u00e0 data, j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 livre de tens\u00f5es. Certamente, a sua ajuda \u00e9 activamente prosseguida, tanto em termos de abastecimento, apoio sanit\u00e1rio e acolhimento de refugiados, como a n\u00edvel militar, com entregas de armas eficazes, com os Estados Unidos a desempenhar o papel principal, colocando o invasor em s\u00e9rias dificuldades. As san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia est\u00e3o tamb\u00e9m a intensificar-se, afectando os seus meios de financiamento da guerra. Mas t\u00eam frequentemente repercuss\u00f5es negativas muito acentuadas para os europeus, muitos dos quais eram altamente dependentes desse com\u00e9rcio para as suas importa\u00e7\u00f5es de energia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A solidariedade europeia n\u00e3o sem tens\u00f5es<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Face a uma guerra cujo alcance, efeitos e imprevisibilidade permanecem sem precedentes no continente desde 1945, cada Estado tende portanto, para al\u00e9m da solidariedade demonstrada pela Uni\u00e3o, a reduzir tanto quanto poss\u00edvel o impacto directo nos seus pr\u00f3prios interesses. Assim, para grande desagrado da Fran\u00e7a, o Chanceler Scholz n\u00e3o pede autoriza\u00e7\u00e3o a ningu\u00e9m para ir a Pequim para assegurar as rela\u00e7\u00f5es com o seu primeiro cliente, para empreender um plano de recupera\u00e7\u00e3o estritamente nacional de 200 mil milh\u00f5es de euros, para dar prefer\u00eancia aos Estados Unidos pelo seu programa de rearmamento de 100 mil milh\u00f5es de euros e para iniciar um programa de defesa comum para o c\u00e9u europeu sem a participa\u00e7\u00e3o francesa<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disto teria acontecido, e o pr\u00f3prio Putin provavelmente n\u00e3o teria arriscado atacar a Ucr\u00e2nia, se a Europa se tivesse equipado, ap\u00f3s a reunifica\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e o alargamento continental, com uma governa\u00e7\u00e3o comum baseada numa pol\u00edtica externa unificada e num dissuasor militar aut\u00f3nomo para al\u00e9m da exist\u00eancia da OTAN. Mas a Fran\u00e7a e a Alemanha h\u00e1 muito que brincam a ser irm\u00e3os de armas, com diferen\u00e7as que n\u00e3o cessaram devido a duas clivagens:<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, um nacionalismo que se manteve vivo e emocional em Fran\u00e7a, atrav\u00e9s de todos os seus altos e baixos: Versalhes, o Iluminismo, a invas\u00e3o da Bastilha, os direitos do homem, o Imp\u00e9rio, a vit\u00f3ria de 1918, a Resist\u00eancia e a Fran\u00e7a Livre nas fileiras dos vitoriosos s\u00e3o motivos de comemora\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o oposto na Alemanha, onde qualquer inclina\u00e7\u00e3o nacionalista \u00e9 estritamente controlada, se n\u00e3o reprimida, ap\u00f3s o trauma do per\u00edodo nazi, com as suas agress\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es, a derrota total e a vergonha do Holocausto. A \u00fanica coisa que t\u00eam em comum \u00e9 que nenhum dos dois pa\u00edses est\u00e1 a tentar jogar a carta do nacionalismo europeu, o que \u00e9 tanto mais ut\u00f3pico quanto nunca o tentaram!<\/p>\n\n\n\n<p>A outra diferen\u00e7a fundamental \u00e9 a atitude em rela\u00e7\u00e3o ao federalismo. Embora ningu\u00e9m em Fran\u00e7a se atreva a defender uma Europa federal, ao contr\u00e1rio de alguns no passado, a coliga\u00e7\u00e3o de social-democratas, liberais e verdes do Chanceler Scholz incluiu explicitamente este objectivo no seu programa, e dificilmente ser\u00e1 preocupada por democratas-crist\u00e3os com ideias semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender e aprender com este \"Amo-te, mas tamb\u00e9m n\u00e3o te amo\", mal enterrado ao abrigo dos tratados bilaterais de uma coopera\u00e7\u00e3o que se pretende privilegiada, mas que amea\u00e7a o pr\u00f3prio futuro da Uni\u00e3o, devemos recordar os acontecimentos de uma hist\u00f3ria turbulenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Um sindicato contestado desde o in\u00edcio<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Quarta Rep\u00fablica, n\u00e3o amada e aflita por todos os males, mas que apenas sucumbiu a uma heran\u00e7a colonial incontrol\u00e1vel, teve um triplo m\u00e9rito: reconstru\u00e7\u00e3o nacional, constru\u00e7\u00e3o europeia e o lan\u00e7amento dos trinta gloriosos anos, que estavam mutuamente ligados. A iniciativa para o mercado comum dos seis pa\u00edses desempenhou um papel decisivo neste contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada foi, no entanto, simples desde o in\u00edcio. Em 1950, confrontado com uma Europa devastada e dividida do p\u00f3s-guerra amea\u00e7ada pelo expansionismo de Estaline, Jean Monnet teve a percep\u00e7\u00e3o pessoal para encorajar Robert Schuman, o ministro dos neg\u00f3cios estrangeiros, um Lotharner com uma cultura dupla e uma hist\u00f3ria antag\u00f3nica, a remodelar o conv\u00e9s. Ofereceu ao Chanceler Adenauer, sem qualquer mandato do seu pr\u00f3prio governo e fora dos canais diplom\u00e1ticos oficiais, o futuro comum de uma Comunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o cujas institui\u00e7\u00f5es supranacionais podiam controlar ind\u00fastrias que tinham estado no centro de guerras anteriores. Este foi o primeiro passo em direc\u00e7\u00e3o a uma Europa unida.<\/p>\n\n\n\n<p>Georges Bidault, supostamente informado por Monnet mas distra\u00eddo por outras preocupa\u00e7\u00f5es, ou mesmo inconsciente do impacto do projecto, e provavelmente ambos, estava prestes a concluir o seu Conselho de Ministros quando Schuman, tendo recebido a confirma\u00e7\u00e3o de \u00faltima hora do acordo de Adenauer, teve o seu plano endossado por um Conselho que n\u00e3o foi aprovado. Tudo o que restava ao Bidault era deixar que Schuman reunisse outros quatro pa\u00edses para negociar e assinar o Tratado CECA a 18 de Abril de 1951, que foi ratificado apesar da oposi\u00e7\u00e3o dos comunistas e dos gaullistas, que o viam como nada mais do que uma \"miscel\u00e2nea\", como o General o disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontado com o paralelo e premente problema de recriar um ex\u00e9rcito na Alemanha Ocidental, Jean Monnet, desta vez inspirando o novo Presidente do Conselho, Ren\u00e9 Pleven, levou a cabo um projecto para uma Comunidade Europeia de Defesa, assinado pelos seis a 27 de Maio de 1952. Foi acordado que esta CDE seria acompanhada por uma Comunidade Pol\u00edtica Europeia, ou seja, uma Europa federalizada, cujas disposi\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o tinham sido especificadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto foi sem a oposi\u00e7\u00e3o e persistente coliga\u00e7\u00e3o de comunistas e gaullistas em Fran\u00e7a, que estavam com pressa de se vingarem da CECA e viram na CED nada mais do que um agravamento da \"miscel\u00e2nea\" que tinha sido escandalosamente transformada num cinzento esverdeado. A ratifica\u00e7\u00e3o da CED tornou-se a batata quente dos sucessivos governos e, ap\u00f3s uma longa disputa pol\u00edtica e parlamentar, foi finalmente rejeitada pela Assembleia Nacional a 30 de Agosto de 1954. Ap\u00f3s esta \u00faltima deser\u00e7\u00e3o francesa, a CDE afundou-se no caixote do lixo da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos, que se tinham tornado praticamente o \u00fanico defensor da Europa face aos milhares de tanques sovi\u00e9ticos suscept\u00edveis de deixar o Elba para o Atl\u00e2ntico, s\u00f3 obtiveram este rearmamento alem\u00e3o atrav\u00e9s do paliativo, em Outubro de 1954, de uma Uni\u00e3o da Europa Ocidental integrada na NATO, que tinha sido criada em 1949.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito unificado sob um quadro pol\u00edtico europeu tendo-se tornado, e permanecendo at\u00e9 hoje, um tabu evacuado da constru\u00e7\u00e3o da Europa, este \u00faltimo preferiu abandonar os militares para o comercial, logo acrescentado ao agr\u00edcola, menos prop\u00edcio \u00e0s disputas pol\u00edticas de todos os lados. O Tratado de Roma de 25 de Mar\u00e7o de 1957, que criou o mercado comum, foi no entanto complementado por um Tratado Euratom que, apesar das altera\u00e7\u00f5es desde a CECA, visava a cria\u00e7\u00e3o de uma Comunidade Europeia da Energia At\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Um parceiro dif\u00edcil da Quinta Rep\u00fablica<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De volta ao cargo ap\u00f3s o putsch de Argel que abriu o caminho para a Quinta Rep\u00fablica, Charles de Gaulle acabou por julgar que o mercado comum teria o m\u00e9rito de refor\u00e7ar as empresas francesas que tinham permanecido excessivamente proteccionistas, mas que permitiram que a Euratom se afundasse, amea\u00e7ando os seus planos pol\u00edticos, civis e militares de autonomia nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p>A prefer\u00eancia do novo regime por uma Europa claramente intergovernamental e de forma alguma supranacional levou \u00e0 proposta de um plano Fouchet. No entanto, este plano deparou-se com a recusa dos outros cinco em abandonar a abordagem comunit\u00e1ria iniciada por Jean Monnet, preferindo deixar pendente a clarifica\u00e7\u00e3o do modo comum de governa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A Fran\u00e7a foi assim obrigada a restringir o seu plano de seis para dois, com o Tratado franco-alem\u00e3o do Eliseu de 1963, cuja ratifica\u00e7\u00e3o teve de ser sujeita \u00e0 adi\u00e7\u00e3o pelo Bundestag de uma refer\u00eancia explicitamente atlantista.<\/p>\n\n\n\n<p>A recusa gaullista de qualquer deriva federal foi ent\u00e3o brutalmente expressa com, para al\u00e9m da secess\u00e3o da OTAN, uma pol\u00edtica de cadeira vazia em frente a qualquer projecto de recursos europeus que escapasse ao controlo un\u00e2nime dos Estados. A Fran\u00e7a apenas p\u00f4s fim a esta situa\u00e7\u00e3o com o compromisso do Luxemburgo, que de facto formalizou o desacordo mas introduziu a unanimidade no caso de interesses considerados essenciais, que foram colocados a todas as utiliza\u00e7\u00f5es durante vinte anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A presid\u00eancia Pompidou acalmou as tens\u00f5es com a conclus\u00e3o do tr\u00edptico, aprofundamento e alargamento de uma primeira cimeira europeia em Haia, enquanto a presid\u00eancia Giscard d'Estaing, juntamente com o Chanceler Schmidt, foi novamente pioneira com a cria\u00e7\u00e3o permanente do Conselho Europeu, a elei\u00e7\u00e3o do Parlamento Europeu por sufr\u00e1gio universal e o Sistema Monet\u00e1rio Europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao Presidente Mitterrand, ele tentou em v\u00e3o prosseguir uma pol\u00edtica alternativa de esquerda contra a mar\u00e9 dos seus parceiros, mas no final voltou, em todos os sentidos da palavra, a mais ortodoxia, que era o pre\u00e7o da sua perman\u00eancia no SME. Acima de tudo, ap\u00f3s uma aproxima\u00e7\u00e3o pessoal com o Chanceler Kohl, obteve que a Presid\u00eancia da Comiss\u00e3o Europeia fosse confiada a Jacques Delors. Este \u00faltimo, t\u00e3o inspirado como determinado, empenhou-se na realiza\u00e7\u00e3o do mercado \u00fanico at\u00e9 1992 com o Acto \u00danico de 1986. Este relan\u00e7amento trocou os obst\u00e1culos da unanimidade por acordos maiorit\u00e1rios, conduzindo finalmente, com a inesperada reunifica\u00e7\u00e3o alem\u00e3, o prel\u00fadio do alargamento continental, ao advento da uni\u00e3o monet\u00e1ria ratificada pelo Tratado de Maastricht de 7 de Fevereiro de 1992 que criou a Uni\u00e3o Europeia, que foi ratificado por pouco em Fran\u00e7a por um referendo divisionista que suscitou velhas tens\u00f5es e ressentimentos n\u00e3o cumpridos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Um persistente mal-entendido franco-alem\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que a Alemanha tentou propor duas vezes, ao Presidente Mitterrand em coabita\u00e7\u00e3o com um governo Balladur em 1994 e depois ao Presidente Chirac em coabita\u00e7\u00e3o com um governo Jospin em 2000, uma uni\u00e3o pol\u00edtica que enquadrava esta uni\u00e3o monet\u00e1ria. Mas a \u00fanica resposta foi um sil\u00eancio repetitivo. No entanto, foi posteriormente acordado convidar uma confer\u00eancia intergovernamental presidida por Giscard d'Estaing, associando o Parlamento Europeu e a sociedade civil, para negociar um tratado constitucional que sintetize a arquitectura, racionalizando as decis\u00f5es e clarificando at\u00e9 o vocabul\u00e1rio, obtendo o aval da Academia Francesa!<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, este esclarecimento n\u00e3o foi ao ponto de lan\u00e7ar luz sobre o futuro europeu da Fran\u00e7a! Pois o tratado constitucional assinado a 29 de Outubro de 2004 fracassou a 29 de Maio de 2005 num referendo que o Presidente Chirac teve a infeliz ideia de escolher para a sua ratifica\u00e7\u00e3o, enquanto que a ratifica\u00e7\u00e3o do parlamento estava largamente assegurada. Tudo isto se transformou em um livre para todos: mesmo as disposi\u00e7\u00f5es muito cl\u00e1ssicas do Tratado de Roma, que foram retomadas inalteradas no novo tratado, foram contestadas por partidos que foram subitamente divididos, tanto internamente como entre si, enganando assim a maioria dos eleitores, que foram os destinat\u00e1rios do documento na sua totalidade, mas que foram igualmente enganados nesta confus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Presidente Sarkozy tentou salvar da cat\u00e1strofe o que poderia ser salvo para permitir que a Uni\u00e3o Europeia alargada tivesse um m\u00ednimo de meios de decis\u00e3o. Este era o objectivo do Tratado de Lisboa de 29 de Outubro de 2007, descrito como um \"mini-tratado\" para n\u00e3o insultar o referendo, mas tornado ileg\u00edvel por m\u00faltiplas refer\u00eancias a volumosos anexos, abandonando no meio de uma campanha o que ainda poderia fazer sentido de uma identidade comum, ou seja, a bandeira e o hino europeu. Estes s\u00edmbolos, embora destitu\u00eddos de qualquer estatuto oficial, foram felizmente preservados na pr\u00e1tica pelas institui\u00e7\u00f5es e pelos Estados Membros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma presid\u00eancia Hollande menos controversa do que tinha sido anunciada, o Presidente Macron quis juntar-se mais uma vez \u00e0s fileiras dos pioneiros europeus, acrescentando ao mesmo tempo o seu famoso \"ao mesmo tempo\". Desejando reconciliar a Fran\u00e7a de Charles de Gaulle, cuja cruz Lorena foi introduzida no bras\u00e3o republicano, e a Europa de Jean Monnet, cuja bandeira estrelada foi honrada pelo Arco do Triunfo, fez numerosos progressos europeus \u00e0 Chanceler Merkel, resumindo-os no seu vasto discurso program\u00e1tico na Sorbonne e reiterando-os no F\u00f3rum Humboldt em Berlim, e depois novamente no Parlamento Europeu em Estrasburgo durante os seis meses da sua presid\u00eancia do Conselho da Uni\u00e3o. Infelizmente, as suas numerosas propostas foram recebidas com o mesmo sil\u00eancio que em tempos a Fran\u00e7a se tinha oposto \u00e0s propostas alem\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A federaliza\u00e7\u00e3o continua a ser uma quest\u00e3o de divis\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As raz\u00f5es desta dessincroniza\u00e7\u00e3o m\u00fatua podem ser resumidas em poucas palavras: a Alemanha quer pragmaticamente uma Europa federalizada com institui\u00e7\u00f5es fortes, enquanto a Fran\u00e7a procura conciliar a sua vis\u00e3o l\u00edrica de uma Europa soberana com a preserva\u00e7\u00e3o de Estados que permanecem fortes, \u00e0 custa de institui\u00e7\u00f5es comuns comparativamente fracas. Vamos procurar onde e por quem o erro se encontra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que esta presid\u00eancia Macron se est\u00e1 a mostrar menos sistematicamente oposta a qualquer supranacionalidade do que a maioria dos seus antecessores, como demonstra a iniciativa bem sucedida desta vez com a Alemanha, que levou a Uni\u00e3o a endividar-se colectivamente at\u00e9 2058 para apoiar a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica no final do Covid. Mas esta \u00e9 uma excep\u00e7\u00e3o imposta por uma situa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, que \u00e9 pouco prov\u00e1vel que altere a regra, a de um persistente mal-entendido do conceito federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Alemanha, este conceito tem ra\u00edzes muito mais profundas do que a cria\u00e7\u00e3o da Bundesrepublik sob o patroc\u00ednio dos aliados ocidentais. O Bund refere-se \u00e0 alian\u00e7a hanse\u00e1tica, que durante s\u00e9culos reuniu, em harmonia m\u00fatua, as cidades e principados germ\u00e2nicos que permaneceram igualmente soberanos e invejosos das suas prerrogativas, incluindo no seio do Sacro Imp\u00e9rio Romano, enquanto a Fran\u00e7a foi constru\u00edda, desde o in\u00edcio, sobre um poder real inflex\u00edvel, submetendo disputas \u00e0 sua omnipresente e indivis\u00edvel autoridade central.<\/p>\n\n\n\n<p>E tal como a Revolu\u00e7\u00e3o e o Imp\u00e9rio n\u00e3o alteraram a autoridade do poder central em Fran\u00e7a, que sobreviveu atrav\u00e9s de todos os seus regimes at\u00e9 aos dias de hoje, tamb\u00e9m o Imp\u00e9rio Alem\u00e3o, fundado em 1871 pelo Reino da Pr\u00fassia, embora nascido sob os sal\u00f5es dourados de Versalhes, n\u00e3o procurou impor a unidade alem\u00e3 espezinhando os reinos e principados que o compunham, mas confiou neles, respeitando as suas particularidades e autonomias.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas o Terceiro Reich quebrou impiedosamente um pacto federal que estava em vigor h\u00e1 v\u00e1rias centenas de anos ao impor a sua centraliza\u00e7\u00e3o absoluta, retransmitida em todos os territ\u00f3rios pelo seu gauleiter, uma vers\u00e3o nazi, embora de uma forma diferente e mais radical, dos nossos prefeitos. Como n\u00e3o compreender que toda a centraliza\u00e7\u00e3o imposta por um tal regime permaneceu amaldi\u00e7oada na mem\u00f3ria dos nossos vizinhos, uma vez que est\u00e1 associada \u00e0 pior ditadura que levou ao pior desastre que j\u00e1 conheceram a todos os n\u00edveis?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 portanto mais f\u00e1cil de compreender porque \u00e9 que esta refer\u00eancia ao federalismo evoca essencialmente, tanto instintiva como racionalmente, uma garantia imprescind\u00edvel das liberdades nos diferentes n\u00edveis, a come\u00e7ar pelo regional e depois pelo nacional, uma vez que qualquer delega\u00e7\u00e3o de poderes no sentido ascendente s\u00f3 pode ser justificada pelo respeito destas liberdades e de acordo com os \u00fanicos interesses comuns, devidamente circunscritos e controlados nos diferentes n\u00edveis, que justificam a transfer\u00eancia. Desde que estes interesses pare\u00e7am ser melhor defendidos a n\u00edvel europeu, a sua transfer\u00eancia n\u00e3o constituir\u00e1 um problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta vis\u00e3o e a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica federal s\u00e3o partilhadas por todos os nossos outros vizinhos e est\u00e3o associadas a uma democracia parlamentar que prevalece em todos os Estados-Membros da Uni\u00e3o Europeia, com excep\u00e7\u00e3o de um: a Fran\u00e7a e a sua centraliza\u00e7\u00e3o ultrapassada, que foi ainda mais refor\u00e7ada pela Quinta Rep\u00fablica com um poder presidencial extraordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Uma Fran\u00e7a centralizada que se manteve resistente<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia federal nunca foi bem sucedida em Fran\u00e7a, apesar das nossas recentes regi\u00f5es terem acrescentado artificialmente, sem grandes meios, aos departamentos bem controlados pelo poder central. S\u00f3 teve defensores isolados como Tocqueville, figuras at\u00edpicas e exiladas como La Fayette, militantes maltratados como os Girondins eliminados pelos Montagnards durante a Revolu\u00e7\u00e3o. Os seus raros herdeiros, alguns dos quais foram capazes de se aproximar dos arcanos do poder, quase n\u00e3o deixaram vest\u00edgios ou institui\u00e7\u00f5es not\u00e1veis e n\u00e3o contam numa mem\u00f3ria colectiva onde os grandes homens s\u00e3o medidos contra a autoridade nacional e r\u00e9gia com a qual marcaram o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O nosso aparelho pol\u00edtico, administrativo e jur\u00eddico \u00e9 por si s\u00f3 estruturalmente desconfort\u00e1vel e amea\u00e7ado assim que \u00e9 apanhado entre um n\u00edvel europeu que o ultrapassa e um n\u00edvel regional que afirma ser aut\u00f3nomo. Um exemplo ilustrativo disto \u00e9 dado pelo nosso Conselho de Estado, criado por Napole\u00e3o, que acaba de rejeitar, por sua pr\u00f3pria autoridade, todas as alternativas \u00e0 inspec\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos motorizados de duas rodas, apesar de estas alternativas terem sido explicitamente previstas pelo Parlamento e pelo Conselho da Uni\u00e3o na origem da directiva, e de terem sido devidamente apresentadas \u00e0 Comiss\u00e3o Europeia pelo nosso governo e aprovadas por esta. O facto de tal interfer\u00eancia suscitar a raiva e o anti-europe\u00edsmo de milh\u00f5es de utilizadores dificilmente incomodar\u00e1 a nossa alta corte, que atribuir\u00e1 a responsabilidade a uma Europa que \u00e9 t\u00e3o curto-circuitada quanto irrelevante. E se o governo renunciar a qualquer arbitragem do Tribunal de Justi\u00e7a Europeu, que o Conseil d'Etat j\u00e1 deveria ter referido atrav\u00e9s de uma quest\u00e3o preliminar, n\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m para preservar esta excep\u00e7\u00e3o francesa?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Em busca de um segundo vento<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m deste aned\u00f3tico mas revelador lembrete de um estado de esp\u00edrito, a quest\u00e3o de uma governa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica europeia esclarecida n\u00e3o pode ser evitada para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma contradi\u00e7\u00e3o persistente merece ser esclarecida pela Fran\u00e7a. Recordemos que Olaf Scholz, ent\u00e3o ministro do governo Merkel, levantou a perspectiva de uma transfer\u00eancia europeia do assento permanente franc\u00eas no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Mas a Fran\u00e7a exclui a partilha da sua sede permanente, ao mesmo tempo que reivindica, em nome da forma, a concess\u00e3o de outra \u00e0 Alemanha. Como conciliar ent\u00e3o esta posi\u00e7\u00e3o com os apelos \u00e0 soberania de uma \"Europa poderosa\", no centro dos discursos do Presidente Macron na Sorbonne, em Berlim e em Estrasburgo? E como podemos dar credibilidade a uma pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a comum que fa\u00e7a sentido para a Europa e para os nossos parceiros externos numa tal situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Um passo importante seria concluir um acordo com a Alemanha para assegurar que as posi\u00e7\u00f5es expressas pelo representante franc\u00eas no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU seriam doravante expressas em nome de ambos os pa\u00edses, em liga\u00e7\u00e3o consultiva com o Alto Representante da UE para os Neg\u00f3cios Estrangeiros e Pol\u00edtica de Seguran\u00e7a, como prel\u00fadio para uma voz europeia politicamente unificada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao restaurar um significado vis\u00edvel e impulsionador ao eixo franco-alem\u00e3o, tal mudan\u00e7a permitiria tamb\u00e9m construir uma verdadeira pol\u00edtica comum de seguran\u00e7a, armamento e defesa numa base mais calma e saud\u00e1vel, na qual os outros Estados-Membros seriam convidados a participar, como n\u00facleo de um dissuasor europeu aut\u00f3nomo, em estreita parceria com a NATO, mas j\u00e1 n\u00e3o em estrita subordina\u00e7\u00e3o. Isto teria tamb\u00e9m m\u00faltiplos efeitos positivos para a Europa recuperar o seu peso pol\u00edtico, a sua competitividade industrial e o seu atraso tecnol\u00f3gico face \u00e0s grandes mudan\u00e7as estrat\u00e9gicas que hoje se aceleram \u00e0 escala global.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a maioria dos franceses, alem\u00e3es e outros europeus de hoje, tal perspectiva ser\u00e1 sem d\u00favida equivalente a \"alcan\u00e7ar a lua\". Mas recordemos as palavras de Kennedy anunciando precisamente este objectivo: \"optamos por ir l\u00e1, n\u00e3o porque seja f\u00e1cil, mas porque \u00e9 dif\u00edcil! Ent\u00e3o de que estamos \u00e0 espera para recuperar uma vontade semelhante na ambi\u00e7\u00e3o do sem precedentes e para renovar a determina\u00e7\u00e3o que Jean Monnet correctamente estabeleceu como uma linha de conduta desde o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o europeia, afastando os caprichos sempre em mudan\u00e7a do optimismo e do pessimismo?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alors que la guerre en Ukraine perdure, la solidarit\u00e9 europ\u00e9enne, \u00e0 ce jour exemplaire, n\u2019est plus exempte de tensions. 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