{"id":1609,"date":"2021-05-08T13:41:00","date_gmt":"2021-05-08T13:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ajmonnet.eu\/?p=1609"},"modified":"2025-07-29T11:44:13","modified_gmt":"2025-07-29T09:44:13","slug":"reflexions-autour-du-brexit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ajmonnet.eu\/pt\/reflexions-autour-du-brexit\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es sobre o Brexit"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s s\u00e9culos de conflitos e as atrocidades da Segunda Guerra Mundial, com os seus milh\u00f5es de mortos e campos de concentra\u00e7\u00e3o, alguns europeus esclarecidos, entre os quais Jean Monnet, conseguiram convencer os pol\u00edticos a construir e desenvolver uma comunidade europeia que se tornou a Uni\u00e3o Europeia. A ideia simples, que ainda hoje \u00e9 v\u00e1lida, \u00e9 resolver os conflitos pacificamente e que somos mais eficazes juntos do que sozinhos, seja na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, no apoio a programas de investiga\u00e7\u00e3o ou na negocia\u00e7\u00e3o de acordos com pa\u00edses ou zonas econ\u00f3micas. As delega\u00e7\u00f5es de poder a n\u00edvel europeu s\u00e3o livremente acordadas. Os cidad\u00e3os t\u00eam uma voz e um poder de co-decis\u00e3o atrav\u00e9s da elei\u00e7\u00e3o do Parlamento Europeu por sufr\u00e1gio universal.<br>O interesse comum europeu \u00e9 procurado, proposto e salvaguardado pela Comiss\u00e3o Europeia e o direito \u00e9 respeitado por todos com a vigil\u00e2ncia do Tribunal de Justi\u00e7a Europeu.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Esta Europa \u00e9 a inveja do mundo e muitos pa\u00edses manifestam regularmente o seu desejo de se juntarem a este para\u00edso de paz e riqueza.<br>Sonham com um poder judicial independente, com o benef\u00edcio de pol\u00edticas estruturais como a Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum, o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, o Fundo Social Europeu a favor dos pa\u00edses menos desenvolvidos e com a possibilidade de sair dos grilh\u00f5es nacionalistas, respeitando o lema europeu: Unidos na diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A Europa, desde o Tratado de Paris sobre a CECA (Comunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o), em 1951, e os Tratados de Roma sobre as Comunidades Europeias, em 1957, mudou e desenvolveu-se muito.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A lucidez dita que, paradoxalmente, o entusiasmo da Europa, com excep\u00e7\u00e3o do per\u00edodo em torno da cria\u00e7\u00e3o do mercado interno em 1993 sob a presid\u00eancia de Jacques Delors, n\u00e3o existe, quando vivemos um per\u00edodo-chave em que os nossos valores fundamentais podem ser postos em causa. O voto negativo no referendo de 2005 sobre o Tratado Constitucional em Fran\u00e7a e nos Pa\u00edses Baixos \u00e9 um exemplo disso mesmo. O resultado do referendo de 2016 no Reino Unido, que deu o \"sim\" ao Brexit por 51,9%, \u00e9 outro exemplo. Esta \u00e9 a primeira vez que o movimento cont\u00ednuo de alargamento foi interrompido. Trata-se de um grande rev\u00e9s para o projecto europeu, uma vez que o Reino Unido \u00e9 um pa\u00eds que conta para a Europa. O di\u00e1rio mexicano El Universal resume bem a situa\u00e7\u00e3o num editorial. \"Os pa\u00edses membros da Uni\u00e3o Europeia s\u00e3o uma refer\u00eancia para o mundo ocidental pelos progressos que realizaram em termos de bem-estar, direitos humanos e qualidade de vida. O jornal lamenta que a vit\u00f3ria do campo pr\u00f3-Brexit ameace a constru\u00e7\u00e3o europeia e fa\u00e7a \"vacilar um dos modelos de integra\u00e7\u00e3o mais bem sucedidos, neste mundo multipolar contempor\u00e2neo em que a constru\u00e7\u00e3o de blocos \u00e9 uma tentativa de consolidar interesses comuns\". Como \u00e9 que se chegou a este ponto?<\/p>\n\n\n\n<p>Cada pa\u00eds tem a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, cultura, tradi\u00e7\u00f5es e especificidades.<br>O estado de esp\u00edrito brit\u00e2nico \u00e9 particular e profundamente enraizado: o dos ilh\u00e9us que consideram a Europa como o continente.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Este pa\u00eds tem um passado prestigioso. Foi a primeira pot\u00eancia militar, industrial, comercial e econ\u00f3mica mundial. Dominou os mares a partir de meados do s\u00e9culo XVIII com uma impressionante frota militar e comercial, que lhe permitiu evitar invas\u00f5es e limitar as consequ\u00eancias dos bloqueios econ\u00f3micos. Beneficiou do facto de ter sido o local da primeira revolu\u00e7\u00e3o industrial. Thomas Newcomen inventou a m\u00e1quina a vapor em 1705, o tear mec\u00e2nico surgiu em 1769 e em 1804 foi feita a primeira tentativa de construir uma locomotiva a vapor. A libra esterlina tornou-se a moeda internacional no s\u00e9culo XIX. Politicamente, nas rela\u00e7\u00f5es externas, era sempre simples evitar que outro pa\u00eds dominasse a Europa: fosse a Espanha, a Fran\u00e7a, a \u00c1ustria, a Pr\u00fassia ou a R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, no seu auge em 1922, tinha 400 milh\u00f5es de pessoas, um quarto da popula\u00e7\u00e3o mundial e cerca de 22% da massa terrestre do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O Reino Unido conseguiu n\u00e3o ser invadido nem por Napole\u00e3o nem por Hitler e foi um dos grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial em 1945, a quem todos estamos gratos, mas o pa\u00eds estava nessa altura exausto, quase falido, perdendo parte do seu imp\u00e9rio \u00e0 medida que avan\u00e7ava, vendo o seu poder \u00e0 escala internacional diminuir, culminando no fiasco da expedi\u00e7\u00e3o do Suez em 1956.<br>A partir de agora, antes do despertar chin\u00eas, os EUA e a URSS dominam sozinhos o mundo e a Alemanha est\u00e1 gradualmente a tornar-se novamente uma grande pot\u00eancia econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Tr\u00eas caracter\u00edsticas brit\u00e2nicas iluminam as rela\u00e7\u00f5es entre o Reino Unido e a Europa a partir de 1946. A cren\u00e7a na superioridade do com\u00e9rcio livre, a rejei\u00e7\u00e3o do proteccionismo e das pol\u00edticas industriais. A rela\u00e7\u00e3o especial com os Estados Unidos. O pragmatismo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O Reino Unido n\u00e3o acreditava de todo no \u00eaxito da CECA em 1951 e n\u00e3o apreciava a reintegra\u00e7\u00e3o da Alemanha. Na sequ\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o da CEE em 1957, lan\u00e7ou a EFTA em 1960, que inclu\u00eda seis outros pa\u00edses: Dinamarca, Noruega, Su\u00ed\u00e7a, Portugal, \u00c1ustria e Su\u00e9cia, mas como a CEE era um sucesso econ\u00f3mico, pediu a ades\u00e3o \u00e0 CEE em 9 de Agosto de 1961. Para Jean Monnet: \"os brit\u00e2nicos respeitam os factos. Se querem aderir ao mercado comum, \u00e9 porque fomos bem sucedidos. A ades\u00e3o foi atrasada pelos dois vetos do General de Gaulle, em Janeiro de 1963 e Novembro de 1967. O Presidente Georges Pompidou, mais angl\u00f3filo, desbloqueou a situa\u00e7\u00e3o e permitiu a ades\u00e3o em 1 de Janeiro de 1973. Um referendo realizado no Reino Unido em Junho de 1975 teve como resultado um \"sim\" de 67,2% a favor da perman\u00eancia na Europa. As ambiguidades permaneceram, uma vez que o Reino Unido estava relutante em ver a Europa permitir que a Alemanha voltasse a ser uma pot\u00eancia normal e economicamente forte e em ver a Europa como muito mais do que uma zona de com\u00e9rcio livre. N\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0s v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es europeias e deplora as pol\u00edticas comuns de solidariedade financiadas pelo or\u00e7amento europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de notar que os dois principais partidos, Conservador e Trabalhista, nunca ser\u00e3o un\u00e2nimes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa e que as suas posi\u00e7\u00f5es evoluir\u00e3o com o tempo. Margaret Thatcher, conservadora, era inicialmente pr\u00f3-europeia, mas, uma vez no poder, pediu um desconto no or\u00e7amento europeu em Novembro de 1979 e obteve-o na cimeira de Fontainebleau, em Maio de 1984. Op\u00f4s-se sistematicamente a qualquer desenvolvimento federal da Europa e obteve uma derroga\u00e7\u00e3o do Tratado de Maastricht em Fevereiro de 1992 para evitar a ades\u00e3o \u00e0 moeda \u00fanica. Tamb\u00e9m n\u00e3o assinou o Acordo de Schengen sobre a livre circula\u00e7\u00e3o de bens e pessoas em 1985. Em 1988, proferiu o seu discurso de Bruges, que consagrou a sua vis\u00e3o de uma Europa de Estados-na\u00e7\u00e3o. Em 2004, com Tony Blair, o primeiro-ministro trabalhista, que se apresentava como amigo da Europa, o alargamento da Europa a 10 novos pa\u00edses foi fortemente encorajado. O objectivo \u00e9 duplo: integrar os pa\u00edses da Europa Central e Oriental e eliminar os obst\u00e1culos \u00e0 integra\u00e7\u00e3o na UE. O pa\u00eds tamb\u00e9m far\u00e1 tudo o que estiver ao seu alcance para bloquear qualquer pol\u00edtica de defesa e seguran\u00e7a. A preocupa\u00e7\u00e3o constante de aparecer como parceiro privilegiado dos Estados Unidos, a fidelidade absoluta \u00e0 NATO e o apoio \u00e0 guerra do Golfo. Durante a crise econ\u00f3mica, David Cameron, o primeiro-ministro conservador, rejeitou em 2011 um tratado or\u00e7amental que, segundo ele, teria prejudicado a City.<br><\/p>\n\n\n\n<p>O pragmatismo brit\u00e2nico, essa outra caracter\u00edstica, faz maravilhas nas institui\u00e7\u00f5es de Bruxelas. O lobbying \u00e9 exercido com brio, compet\u00eancia e profissionalismo. O Reino Unido aproveita os alargamentos que imp\u00f5em a l\u00edngua inglesa em detrimento do franc\u00eas, que era ex\u00f3tico para os novos participantes, com excep\u00e7\u00e3o da Rom\u00e9nia. Promove o seu modelo de pensamento e de express\u00e3o, claro, preciso e directo, e dota-se de meios de controlo eficazes. Tenta colocar os seus homens ou mulheres a todos os n\u00edveis relevantes nas direc\u00e7\u00f5es-gerais da Comiss\u00e3o Europeia, com o objectivo de proteger a City, as suas institui\u00e7\u00f5es financeiras, as suas companhias de seguros, o seu modelo de pensamento. Infelizmente para ela, uma manobra pol\u00edtica interna do primeiro-ministro Cameron vai minar todos os seus sucessos com o referendo do Brexit. Ele pensava que ia conseguir um voto negativo, mas conseguiu um voto positivo. O Reino Unido deu um tiro no p\u00e9.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Este resultado foi inesperado. A maior parte dos relat\u00f3rios dos empregadores, dos sindicatos, dos centros de investiga\u00e7\u00e3o, incluindo universidades, do Banco de Inglaterra e das c\u00e2maras de com\u00e9rcio explicavam que votar a favor do Brexit seria um erro. Uma poderosa conspira\u00e7\u00e3o anti-europeia conseguiu impor-se. Beneficia do apoio da grande maioria da imprensa popular, do l\u00edder do UKIP (Partido para a Independ\u00eancia do Reino Unido), o brilhante orador Nigel Farage, de numerosas redes sociais, algumas das quais beneficiam de um importante apoio t\u00e9cnico e financeiro dos Estados Unidos ou da R\u00fassia, e de conservadores oportunistas em busca de poder, de que Boris Johnson \u00e9 o exemplo t\u00edpico, que se juntam aos euroc\u00e9pticos hist\u00f3ricos fi\u00e9is \u00e0 linha Thatcher. Estes apoiam-se num profundo sentimento anti-elite e anti-conhecimento das classes trabalhadoras, no sentimento de abandono das regi\u00f5es rurais ou outrora industriais, na desresponsabiliza\u00e7\u00e3o or\u00e7amental e social dos servi\u00e7os p\u00fablicos, na hostilidade dos pescadores, nas pens\u00f5es enfraquecidas e no sentimento geral de decl\u00ednio. O futuro \u00e9 visto como mais sombrio, nomeadamente para os seus filhos. A nostalgia do passado glorioso, do Imp\u00e9rio, \u00e9 amplificada pela imprensa popular, que \u00e9 muito bem distribu\u00edda. N\u00e3o entra em pormenores, sem nuances, com t\u00edtulos enganadores: a Europa \u00e9 sistematicamente apresentada como a desgra\u00e7a, a ren\u00fancia ao interesse nacional, a tomada de controlo pelos tecnocratas europeus e pelos estrangeiros. Os migrantes s\u00e3o considerados culpados de invas\u00e3o, de substitui\u00e7\u00e3o, de ocupa\u00e7\u00e3o indevida de postos de trabalho, at\u00e9 os polacos brancos e cat\u00f3licos s\u00e3o visados.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 que encontramos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>A vota\u00e7\u00e3o e as sondagens desde ent\u00e3o indicam que a profunda divis\u00e3o do pa\u00eds n\u00e3o desapareceu. O Brexit tem o apoio das zonas rurais, dos sub\u00farbios, da classe trabalhadora, dos menos instru\u00eddos e dos idosos, em Inglaterra e no Pa\u00eds de Gales. Remain: as cidades, incluindo Londres, as pessoas<br>educados, muitos dos dirigentes de grandes empresas, Esc\u00f3cia, Irlanda do Norte, jovens.<br><br>Em Londres, houve grandes manifesta\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds com milhares de bandeiras europeias.<\/p>\n\n\n\n<p><br>N\u00e3o houve qualquer efeito domin\u00f3, pelo contr\u00e1rio, o Brexit continua a ser visto por outros Estados-Membros como um repulsor. A sua opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel. Em particular, n\u00e3o querem perder o financiamento europeu. H\u00e1 tamb\u00e9m uma melhor perce\u00e7\u00e3o da Europa por parte dos cidad\u00e3os europeus.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Est\u00e3o a ser realizados progressos significativos impens\u00e1veis com a presen\u00e7a do Reino Unido, como o plano de recupera\u00e7\u00e3o excepcional de 750 mil milh\u00f5es de euros decidido em 21 de Julho de 2020 pelos Chefes de Estado e de Governo para ultrapassar a crise da covid...<\/p>\n\n\n\n<p><br>Apesar do acordo p\u00f3s-Brexit, as outras dificuldades esperadas existem: o Reino Unido n\u00e3o parece querer respeitar os seus compromissos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Irlanda do Norte e est\u00e1 em curso um teste de for\u00e7a com a Europa.<\/p>\n\n\n\n<p><br>As empresas brit\u00e2nicas, em especial as PME que exportam para a UE, est\u00e3o a sofrer com os custos das formalidades aduaneiras. O centro financeiro de Londres est\u00e1 enfraquecido. A Esc\u00f3cia, que pretende permanecer no mercado \u00fanico europeu, quer um novo referendo sobre a sa\u00edda do Reino Unido.<br><\/p>\n\n\n\n<p>No plano pol\u00edtico, Keir Starmer, o l\u00edder pr\u00f3-europeu do Partido Trabalhista, substituiu Jeremy Corbyn, que tinha feito uma campanha muito t\u00edmida durante o referendo.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro-ministro Boris Johnson continua imprevis\u00edvel como sempre. Coloca a t\u00f3nica na Gr\u00e3-Bretanha global, na import\u00e2ncia da regi\u00e3o do Indo-Pac\u00edfico e no aumento do n\u00famero de ogivas nucleares. Quer fazer uma promessa ao Presidente Biden, mas este \u00faltimo n\u00e3o esqueceu que apoiou Trump. No entanto, ainda levar\u00e1 tempo para julgar, com a necess\u00e1ria retrospetiva, a situa\u00e7\u00e3o real do Reino Unido, o seu posicionamento, a sua influ\u00eancia a n\u00edvel internacional e para avaliar o estado da sua economia.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u00c9 de esperar e encorajar que a opini\u00e3o p\u00fablica brit\u00e2nica amadure\u00e7a e favore\u00e7a o regresso do Reino Unido \u00e0 Uni\u00e3o Europeia na devida altura, com a ambi\u00e7\u00e3o de ajudar \u00e0 emerg\u00eancia de uma verdadeira pot\u00eancia europeia.<br><\/p>\n\n\n\n<p>BOLETIM INFORMATIVO DA ACADEMIA DE YUST N.\u00ba 6 Junho de 2021<br><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apr\u00e8s des si\u00e8cles de conflit et les atrocit\u00e9s de la deuxi\u00e8me guerre mondiale avec ses millions de morts et ses camps de concentration quelques europ\u00e9ens \u00e9clair\u00e9s, dont Jean Monnet, ont r\u00e9ussi \u00e0 convaincre des politiques de b\u00e2tir et d\u00e9velopper une communaut\u00e9 europ\u00e9enne devenue Union europ\u00e9enne. 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